Vuelta a España, a segunda maior prova da Península Ibérica! Devo confessar que não acompanhei muito esta primeira semana, provavelmente irei escrever alguns disparates, coisa que já é normal, mas desta vez tenho uma boa desculpa.

Vamos então aos nomes e fatos que mais me chamaram a atenção até o momento:

Rogliço

Não há muito a dizer, quando não cai, há apenas um ciclista capaz de o bater e esse está na Eslovênia a apertar os cordões das suas sapatilhas de cadarço.

Iniciou a prova a voar no contrarrelógio inicial (que era um prólogo), nada que surpreendesse, mas ficou o aviso para a concorrência. Na montanha esteve a controlar sem muito desgaste e os rivais sempre com a língua de fora, enquanto ele respirava por um pulmão. Nem precisou de uma grande equipe, apenas Enric Mas (Movistar) está perto. Ou seja foi uma ótima semana para o Esloveno.

Primoz Roglic veste a Camisa Vermelha ao fim da primeira semana da Vuelta (Luis Angel Gomez ©PHOTOGOMEZSPORT)

Landismo

Mais uma semana de ciclismo onde o Landismo brilhou. Vinha de ganhar a Vuelta a Burgos, está numa equipe que voa e tinha montanha para fazer diferenças, mas ao fim de nove etapas está fora da luta pela vitória e o pódio é uma miragem.

Acaba contrato este ano e por este andar em 2022, correrá na sua Euskaltel-Euskadi, o Landismo não morrerá.

Ineostar

Mais um compêndio tático brilhante da equipe britânica. Correm como se tivessem o ciclista mais forte da prova. Endurecendo a corrida e descarregando quase toda a gente. O problema é que agora também descarregam o próprio líder.

Desde 2011 que correm assim e está visto que não sabem correr de outra forma. Os Eslovenos vieram estragar os planos de Brailsford e sus muchachos.

Egan Bernal (Ineos Grenadiers) está a sofrer muito. Resta saber quais são as causas. Será uma eslovenite? Ainda sofre dos efeitos Covid-19? Ou o calor está a fazer das suas?

Em relação a Adam Yates (Ineos Grenadiers), a sua irregularidade só é comparável a Simon Yates (BikeExchange). Não há gêmeos mais verdadeiros do que estes dois. Já a Locomotora de Carchi (Carapaz) está a carvão nesta Vuelta. No Alto de Velefique perdeu 8 minutos para Roglic e Mas em 4 Km!

Ineos não se achou nessa Vuelta ainda (Luis Angel Gomez ©PHOTOGOMEZSPORT)

La Vuelta de la Vuelta

Don Chente Garcia Acosta merece uma estátua. Não bastava ser a maior estrela de um documentário da Netflix, é também o melhor e maior filósofo do pelotão mundial. Peço desculpa a Guillaume Martin (Cofidis), mas Garcia Acosta está num patamar diferente.

Depois da “fuga de la fuga”, eis que Don Chente após o terrível e dramático abandono de Alejandro Valverde (Movistar) saiu-se com mais uma frase que ficará para a posteridade, “Vamos a darle la vuelta a La Vuelta.”.

Se dar “la vuelta a La Vuelta” é colocar o Miguel Angel Lopez (Movistar) a rebocar os adversários quando o Enric Mas (Movistar) está a ganhar tempo, então a estratégia está a ser bem executada.

Me curvo perante Don Chente.

Jasper contra Fabio

Duas vitórias para cada um. São claramente os melhores sprinters em prova. Depois de ter batido na trave umas vinte vezes no Tour, eis que Jasper Philipsen (Alpecin-Fenix) vinga-se na Vuelta com dois sprints perfeitos onde a equipe trabalhou também na perfeição (a Alpecin-Fenix ganhou etapas no Giro, Tour e Vuelta, coisa rara numa equipe de segunda divisão). Fabio Jakobsen (Deceuninck-QuickStep) demonstrou que mantém intacta a potência, apesar de tudo o que se passou neste último ano.

O resto dos sprinters estão muito longe e Arnaud Démare (Groupama-FDJ) também vem provando que a temporada 2020 foi uma exceção. Tem um excelente trem, mas não consegue sequer fazer comichão a Philipsen e Jakoben.

O duelo dos sprinters Jasper Philipsen 2 x 2 Fabio Jakobsen (Luis Angel Gomez ©PHOTOGOMEZSPORT)

Abelhas amigáveis

Sepp Kuss (Jumbo-Visma) está no Top-10 mas foi surpreendente vê-lo a ficar para trás tão cedo no Picón Blanco. Desde aí tem melhorado, se beneficiou de uma fuga para entrar nos dez primeiros e em Velefique mostrou um nível decente.

Steven Kruijswijk (Jumbo-Visma) também parece estar a melhorar, mas o resto da equipe principalmente Sam Oomen (Jumbo-Visma) está longe da melhor forma. As abelhas mostraram algumas debilidades e os rivais de Roglic têm de aproveitar isso caso queiram derrotá-lo.

Fugas

Rein Taaramäe (Intermarché-Wanty) foi o primeiro a vencer pela fuga e além da etapa levou a vermelha, durou apenas dois dias com ela.

Magnus Cort (EF-Nippo) resistiu em Cullera e venceu de forma agônica num dia agridoce para a EF, já que Hugh Carthy (EF-Nippo) perdeu quase 3 minutos para os rivais.

Magnus Cort venceu na fuga a Etapa 6 (Luis Angel Gomez ©PHOTOGOMEZSPORT)

No dia seguinte à vitória de Cort, foi a vez de Michael Storer (DSM) descarregar os colegas de fuga e vencer no topo do Balcón de Alicante. O jovem da terra do canguru a mostrar que o ciclismo Australiano está bom de saúde e Richie Porte (Ineos) tem um possível sucessor, com a vantagem que este sabe andar de bicicleta.

E para terminar a semana, nada melhor do que Damiano Caruso fazer uma exibição que já se tornou um clássico nesta temporada. O que seria desta semana sem uma vitória épica da Bahrain-Victorious? Muita atenção a esta equipe para o resto da prova. Mark Padun (Bahrain-Victorious) ainda não começou a carburar. É um rapaz com bom coração e decidiu dar nove etapas de avanço aos adversários.

4 vitórias da fuga em 9 etapas, a Vuelta segue a tendência de Giro e Tour.

Damiano Caruso venceu na fuga, a última etapa da primeira semana da Vuelta

Os outros

Alexander Vlasov (Astana) pouco se viu e começa a disputar o título da irregularidade com os manos Yates. Jack Haig (Bahrain-Victorious) também entra nessa luta. Huge Carthy (EF-Nippo) durou sete etapas. Giulio Ciccone (Trek Segafredo), David De la Cruz (UAE), Fabio Aru (Qhubeka), Louis Meintjes (Intermarché-Wanty)), Gino Mader (Bahrain-Victorious) e Felix Grossschartner (Bora hansgrohe) vão sobrevivendo e lutam por um lugar no Top-10.

Adiós.


Etapa Rainha é Bruno Dias, português de perto do Porto, onde equipe se escreve equipa e blefe é bluff. 🙂

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Você pode ouvir e seguir a corrida com a gente via Twitter Spaces no nosso #REVIRAVUELTA. Diariamente, a partir das 12:15h (Brasília), 16:15h (Lisboa) ou 17:15h (CET), você acompanha os quilômetros finais do dia com um breve bate-papo pós-etapa, trazendo o melhor do que rolou. O programa que é como uma sala de áudio onde todo mundo pode entrar para ouvir e conta com a narração e moderação do Junimba Simões e as análises do Allan Almeida pelo BikeBlz e ainda do Davide Gomes e do Tiago Ferreira do Portuguese Cycling Magazine, sempre em bom e claro português do mundo. Confira!

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